
O que é a síndrome de abstinência?
A Síndrome de abstinência é um conjunto de sintomas como agitação, ansiedade, suor intensivo, irritabilidade, tontura, insônia, dores de cabeça, nervosismo, dificuldade de concentração, impaciência, fome excessiva, além do desejo de voltar a fumar. Estes sintomas podem se prolongar por semanas.
Essa síndrome é a maior responsável pela recaída dos ex-fumantes e o grau de dependência é diretamente proporcional ao número de cigarros fumados e ao teor de nicotina neles encontrado.
Parar de fumar engorda?
Uma das conseqüências que podem ocorrer com quem para de fumar é o ganho de peso. Por isso, vários fumantes não deixam de fumar com receio de ganhar muito peso e, alguns dos que conseguem, podem retornar ao hábito assustados com o aumento da ingestão alimentar e do ganho de peso.
O ganho de peso que possa acontecer, ocorre porque a nicotina causa uma reação química que aumenta o consumo de energia, cerca de 200 calorias por dia. Também afeta a atividade da serotonina e dopamina, substâncias que atuam no controle da fome, reduzindo o apetite e inibindo o paladar.
O ganho de peso também se dá devido à substituição de cigarros por alimentos. A pessoa que fuma requer aproximadamente 10% mais calorias para manter seu peso do que os que não estão fumando.
A maioria das pessoas que param de fumar engorda muito menos do que se imagina, em média entre 2 e 4kg e este ganho de peso tende a regredir e se normalizar após 6 meses sem fumar.
Para evitar o aumento de peso, recomenda-se uma dieta balanceada com muitas frutas e vegetais, que possuem poucas calorias e muita fibra. Também é aconselhável alimentar-se freqüentemente em pequenas quantidades ao longo do dia. Além disso, é necessária a prática de exercícios físicos constantes, que ajuda a reduzir a ansiedade e evita que o peso aumente muito.
Não há vantagem na diminuição do peso através do ato de fumar pois o emagrecimento perseguido pelas pessoas através do cigarro não lhes garante vida mais longa, nem uma melhor qualidade de vida.
Como o cigarro afeta os fumantes passivos?
Fumar em ambientes fechados prejudica as pessoas com quem o fumante convive, já que ao respirar a fumaça do cigarro, os não fumantes correm o risco de ter as mesmas doenças que o fumante.
Os não fumantes que respiram a fumaça do tabaco têm um risco maior de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo. Quanto maior o tempo em que o não fumante fica exposto à poluição tabagística ambiental, maior a chance de adoecer. As crianças normalmente são as mais afetadas, sofrendo com bronquite e pneumonia, asma e infecções do ouvido médio.
Basta manter um cigarro aceso para poluir um ambiente com as substâncias tóxicas da sua fumaça. Ao fim do dia, em um ambiente poluído, os não fumantes podem ter respirado o equivalente a 10 cigarros.
Como o cigarro age no organismo?
A fumaça do tabaco, durante a tragada, é inalada para os pulmões, distribuindo-se para o sistema circulatório e chegando rapidamente ao cérebro, entre 7 e 9 segundos.
Além disso, todo o volume de sangue do corpo percorre os pulmões em um minuto. As substâncias inaladas pelos pulmões espalham-se pelo organismo com uma velocidade quase igual a de substâncias introduzidas por uma injeção intravenosa.
A fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas diferentes; que constitui-se de duas fases fundamentais: a fase particulada e a fase gasosa. A fase gasosa é composta, entre outros por monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína. A fase particulada contém nicotina e alcatrão.
O alcatrão é um composto de mais de 40 substâncias comprovadamente cancerígenas, formado à partir da combustão dos derivados do tabaco. Entre elas, o arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, resíduos de agrotóxicos, substâncias radioativas, como o Polônio 210, acetona, naftalina e até fósforo P4/P6, substâncias usadas para veneno de rato.
O monóxido de carbono (CO) tem afinidade com a hemoglobina (Hb) presente nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam oxigênio para todos os órgãos do corpo. A ligação do CO com a hemoglobina forma o composto chamado carboxihemoglobina, que dificulta a oxigenação do sangue, privando alguns órgãos do oxigênio e causando doenças como a aterosclerose.
A nicotina é considerada pela Organização Mundial da Saúde/OMS uma droga psicoativa que causa dependência. A nicotina age no sistema nervoso central como a cocaína, com uma diferença: chega em torno de 9 segundos ao cérebro. Por isso, o tabagismo é classificado como doença estando inserido no Código Internacional de Doenças (CID-10) no grupo de transtornos mentais e de comportamento devido ao uso de substância psicoativa. Além disso, a nicotina aumenta a liberação de catecolaminas, causando vasoconstricção, acelerando a freqüência cardíaca, causando hipertensão arterial e provocando uma maior adesividade plaquetária. A nicotina juntamente com o monóxido de carbono, provoca diversas doenças cardiovasculares.
Além disso, estimula no aparelho gastrointestinal a produção de ácido clorídrico, o que pode causar úlcera gástrica. Também desencadeia a liberação de substâncias quimiotáxicas no pulmão, que estimulará um processo que irá destruir a elastina, provocando o enfisema pulmonar.
Qual o primeiro passo para parar de fumar?
É importante estar ciente dos males que o fumo ocasiona, através de informações científicas, cursos e debates. A maneira de parar de fumar deve ser decidida de acordo com as necessidades individuais. Resumidamente existem duas maneiras para se fazer isso:
Parada Abrupta: é caracterizada pela suspensão total do cigarro em uma data pré-estabelecida. Assim, passa-se do número total de cigarros consumidos para nenhum. Se a reposição (adesivos ou chicletes) for ser utilizada, o ideal é começar imediatamente após a interrupção dos cigarros.
Parada Gradual: este tipo oferece duas possibilidades de redução. Este processo deve durar somente 6 dias. Nesse caso, se a reposição (adesivos ou chicletes) for utilizada só comece a usá-la quando tiver parado totalmente de fumar.
O segredo é persistir e se ainda assim retomar o hábito, não se deve desistir, porque a maioria das pessoas que foram bem-sucedidas em abandonar o tabagismo haviam tentado por três ou mais vezes.
* No caso do uso de qualquer medicação, quer seja comprimidos, gomas ou adesivos, somente com indicação e orientação médica pois nem todos podem fazer uso das mesmas. Serão prescritas após minuciosa avaliação clínica.
Principais doenças causadas pelo uso do cigarro
O tabagismo é responsável por 30% das mortes por câncer, 90% das mortes por câncer de pulmão, 25% das mortes por doença coronariana, 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica e 25% das mortes por doença cerebrovascular.
Outras doenças associadas ao uso do cigarro são: aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e impotência sexual no homem. A estimativa é de que, no Brasil, a cada ano, 200 mil pessoas morrem precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo.
Além disso, mulheres sofrem mais as consequências do uso do cigarro. As mulheres que fumam apresentam mais problemas circulatórios, osteoporose, rugas e celulite do que as que não fumam. Mulheres que usam anticoncepcionais e fumam têm 10 vezes mais chance de sofrer infarto, derrame e trombose nas veias da perna.
Como funciona a nicotina suplementar?
No cérebro, a nicotina imita a ação da dopamina, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar. Para reduzir a vontade de fumar, recorre-se a chicletes ou adesivos que liberam a substância na corrente sanguínea, diminuindo a vontade de fumar, já que a vontade é provocada pela sensação de bem-estar citada anteriormente.
Hoje encontram-se no mercado a goma de mascar e o adesivo. Devido a alguns aspectos desagradáveis da goma de mascar, como o seu gosto ruim, o adesivo colocado sobre a pele tem sido o recurso mais utilizado.
O tratamento com adesivo de nicotina durante 8 semanas apresenta resultados que não são superados pelo seu prolongamento, como recomendam alguns fabricantes. Recomenda-se que sempre haja prescrição e supervisão médica para o uso destes produtos.