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Entendendo Melhor


Por: Deborah Cristina Correa, Assistente Social

Vendendo a alma ao diabo!

Por: Deborah Cristina Correa, Assistente Social

É notória a utilização da mídia pela indústria do tabaco com o intuito de promover o consumo, mesmo com todas as legislações que incidem sobre o uso dos meios de comunicação para restringir este uso, a indústria de produtos fumígenos sempre encontra meios de driblar a proibição garantida pela Lei 9294.

Não é meu objetivo no presente artigo resgatar todas estas artimanhas, mas apenas salientar a mais recente: o uso de espaços acadêmicos para promover debates sobre os mais diversos assuntos e acreditem, meio-ambiente faz parte da agenda de preocupações destas empresas! Tal constatação seria cômica se não fosse trágica por dois aspectos que me permito salientar e chamar o leitor a refletir: a primeira questão diz respeito ao papel das universidades e instituições de ensino, e a outra a questão ambiental. Se tomarmos a concepção de nosso mestre Paulo Freire, e entendermos a educação como caminho para construção da cidadania, não se apresenta ética a proposta de aceitar incentivos, patrocínios, ajudas, ou seja lá o que for de uma instituição que provoca, sabidamente e comprovadamente pelos meios científicos , mais de 200000 (duzentas mil) mortes/ano no Brasil e mais de 5 milhões de mortes/ano no mundo pelo consumo de seus produtos. Isso sem contar as mortes ocasionada pelo fumo passivo que precisam ser amplamente discutidas pela sociedade já que um ambiente saudável é direito de todos e dever do Estado.

Uma empresa que, para obter a matéria prima para sua produção promove desde o uso de agrotóxicos para maior produtividade da colheita (os trabalhadores rurais desenvolvem várias doenças pela contaminação), desmatamento de florestas (1,7% de nossa floresta é utilizada para secagem da folha do tabaco, e mais madeira ainda é necessária para produzir a embalagem e o papel do cigarro), para o plantio do fumo não pode ser considerada uma empresa capaz de promover nenhum tipo de debate ou discussão em prol da sociedade, ou do meio ambiente, já que seus produtos contribuem para dizimar esta mesma sociedade bem como o nosso planeta. Trata-se de uma questão ética, moral. Muitos de nós estão “vendendo a alma ao diabo”, trocando suas crenças, seus ideais, seu compromisso ético-político por alguns trocados (e não são poucos ) oferecidos pela “indústria da morte”.

O poderio financeiro subjuga a tudo e a todos diante da precariedade orçamentária na qual convive o serviço público, mas não podemos compartilhar desta inversão de princípios. Ora, estamos do lado oposto, nossas intenções são extremamente divergentes, não há a menor possibilidade de nos aliarmos ao inimigo! Aquilo que defendemos: um ambiente livre do tabaco, saúde, qualidade de vida, liberdade do indivíduo, melhora das condições sociais, etc. não convergem com os objetivos da indústria do tabaco, antes, são totalmente incompatíveis. Como então promover debates em espaços que congregam grande público jovem estampando a marca destas empresas? Como realizar pesquisas sobre saúde financiadas por uma indústria que promove doença?

As perguntas são muitas e as respostas escassas. Questionar as instituições de ensino e pesquisa que estão sendo “privilegiadas” torna-se um árduo trabalho que se resume em várias tentativas e poucas respostas, bem o sabe a Aliança para o Controle do Tabagismo, uma ONG que vem exercendo um papel memorável nesta difícil tarefa, cobrando e questionando o papel dessas instituições e de profissionais e personalidades formadoras de opinião que vem tendo muitos de seus projetos financiados pela indústria do tabaco. Serão legítimas as discussões promovidas por este patrocinador? Terá a sociedade algum retorno plausível originados de tais debates? Qual o posicionamento destas instituições e personalidades diante das provas inquestionáveis das matanças ocasionadas pelo uso do tabaco?

Não temos as respostas, mas podemos mostrar e registrar nossa indignação! Podemos descruzar os braços e lutar para que estas inversões não se tornem comuns, para que não sejam as instituições públicas utilizadas como meio de promoção destas empresas. Deixo aqui meu protesto e indignação junto a estas pessoas e instituições, e, a lembrança que um dia o diabo pode retornar para cobrar a dívida, por isso cuidado!

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