
O profissional de Serviço Social possui a especificidade de atuar em diferentes áreas. A sua formação profissional propicia sua inserção na saúde, educação, recursos humanos e assistência social propriamente dito. No decorrer de sua formação, habilita-se na elaboração de projetos, pesquisas e planejamento em políticas sociais.
Salientamos no entanto, uma característica fundante do seu processo de profissionalização: atuar tanto em demandas individuais, quanto em grupos e comunidades.
Destacaremos nesta “conversa”, a atuação do Assistente Social junto a grupos de educação em saúde, exemplificando os grupos de tabagismo.
A área de saúde hoje, é o setor que mais emprega o profissional de Serviço Social, propiciando junto com os demais profissionais de saúde, a possibilidade de desenvolver trabalhos de cunho preventivo. A educação em saúde, através da informação e sensibilização dos usuários é viável nos três níveis de atenção à saúde (primário, secundário e terceário). Caberá aos profissionais adaptar à realidade de cada nível.
Nos hospitais e serviços de urgência e emergência, qualquer profissional de saúde por exemplo, poderá dedicar ao usuário cinco minutos de informação quanto aos malefícios do tabaco e os benefícios para a vida, ao deixar de fumar. É claro que os profissionais estarão devidamente capacitados para abordar o tema.
Já as Unidades de Saúde, são setores ainda mais propícios ao desenvolvimento da educação em saúde, ocupando esta, lugar especial na atenção primária. Unidade de Saúde deve ser sinônimo de prevenção, uma vitrine de promoção da saúde e, seus profissionais são modelos de comportamento.
Nas duas últimas décadas, o Governo Federal vem investindo através de campanhas e leis na questão do tabagismo enquanto comportamento prejudicial à saúde, tanto dos dependentes do cigarro (nicotina), quanto do fumante passivo.
Apesar das evidências científicas sobre a relação entre tabaco e certas doenças (câncer, infarto, bronquite e enfisema), o sistema de saúde ainda dá ênfase ao tratamento dessas doenças, e não, na atuação sobre a etiologia das mesmas, no caso o tabagismo.
Os grupos de tabagismo é uma alternativa de tratamento e educação em saúde. É sabido, que 80% dos fumantes desejam parar de fumar, porém apenas 3% conseguem parar sozinhos a cada ano. O tratamento em grupo torna-se eficaz por ser mais econômico (atende a um maior número de pessoas) e possibilita a troca de experiências.
O Assistente Social , para atuar nos grupos de tabagismo deverá ( como os demais profissionais) estar capacitado na abordagem mínima, básica e intensiva do fumante. Sendo a fala, o instrumento de trabalho deste profissional (IAMAMOTO,1998), não haverá entraves para desenvolver o trabalho. No entanto, é fundamental, utilizar as técnicas de trabalho com grupos (habilidade para manter os participantes envolvidos, saber ouvir, não se comportar como um professor, valorizar as experiências individuais, adaptar as informações de forma que o participante entenda o que se diz, observar alterações de comportamento, dentre outras). É imprescindível que o profissional não seja fumante e goste de trabalhar com grupos.
Sempre que possível, o grupo deverá ser coordenado por dois profissionais de saúde. No entanto, caso não haja disponibilidade, poderá ser conduzido por apenas um profissional.
Estando o Assistente Social coordenando o grupo, deve haver a percepção de quando o grupo ou um participante do grupo necessita de outros profissionais (médico, psicólogo, nutricionista, educador físico, dentre outros). Os indivíduos possuem necessidades múltiplas, que demanda o desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar.
Assim como o Assistente Social, todos os profissionais devem valorizar a educação em saúde e o trabalho em equipe, pois a riqueza encontra-se em compartilhar o conhecimento das diferentes áreas profissionais.