
Jogo compulsivo, também designado tecnicamente como Jogo Patológico (JP), é classificado como um Transtorno do Controle do Impulso, onde “a característica essencial é a falha em resistir a um impulso, instinto, ou desejo de realizar um ato que é prejudicial ao indivíduo ou outras pessoas” (Organização Mundial da Saúde).
O JP é caracterizado por:
O tabagismo ou “dependência de nicotina” ocorre em 60,4% dos jogadores compulsivos. Por outro lado, grande parte (23%) dos tabagistas freqüenta locais de jogatina pelo menos uma vez por mês. Jogadores-problema ou patológicos têm o dobro da prevalência de tabagismo que não-jogadores e pessoas que jogam, mas não têm problemas devidos ao jogo (57,4% x 28,5%). Há estudos que sugerem que o consumo de tabaco freqüentemente começa algum tempo após o jogo, o que levanta a possibilidade de que, ao lado dos outros prejuízos, o jogo pode favorecer a dependência de nicotina.
Observou-se que tabagistas tendem a gastar mais no jogo (em média, 30,29 dólares contra 13,93 dos não tabagistas). Num relatório para uma empresa de jogo, constou que o “tabagismo é um potente reforçador do comportamento de jogo”. Além dos donos de bingos e cassinos, os fabricantes de ventiladores e condicionadores de ar também são favorecidos pela fumaça do tabaco.
A alta prevalência de tabagismo em jogadores patológicos pode não ser uma coincidência: há semelhanças nos sintomas e possibilidades de que JP e dependência de nicotina possam ter mecanismos básicos em comum, inclusive genéticos.
Na dependência de álcool, 50% das mortes estão relacionadas ao tabagismo. Também em jogadores, o tabagismo pode contribuir muito para o adoecimento e mortes.
Pesquisas sugerem que proibir o uso do tabaco nos locais de jogo pode constituir um estímulo para as pessoas pararem de fumar. O intervalo para sair para fumar também pode proporcionar um momento para decidir interromper seu jogo.
São necessárias mais pesquisas sobre a associação entre JP e dependência de nicotina, mas desde já é possível adiantar que há evidências suficientes para cobrar das autoridades a proibição do uso do tabaco em ambientes de jogos, prevenindo dessa forma uma associação potencialmente arriscado para o indivíduo.
Acesse: www.anjoti.org.br
Hermano Tavares
Psiquiatra
Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP
Coordenador do AMJO do Instituto de Psiquiatria da USP e presidente da ANJOTI
Ivan Mario Braun
Psiquiatra Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP
Médico supervisor do Ambulatório de Tabagismo do AMJO* do Instituto de Psiquiatria da USP e membro da ANJOTI**
* AMJO – Ambulatório do Jogo
** ANJOTI – Associação Nacional do Jogo e Outros Transtornos do Impulso