
Dia 29 de agosto é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Mesmo com tantas campanhas sobre os problemas e danos causados à saúde provocados pela dependência do cigarro, o tabagismo continua sendo considerado um dos maiores problemas de saúde pública.
Fumantes diferentes fumam por razões diferentes, consomem quantidades diferentes de nicotina, experimentam sintomas de abstinência diferentes e são diferentes em outros aspectos como idade, presença de comorbidades clínicas ou psiquiátricas, educação, etc., determinando aos profissionais de saúde, técnicas de tratamentos específicos, pois o processo de Parar de Fumar precisa ir muito mais além do que simplesmente deixar ou parar de colocar cigarros na boca.
Como o tabagismo é uma dependência de droga mantida por uma variedade de processos, que vão desde a fisiologia e o hábito comportamental até políticas internacionais, os profissionais de saúde podem da mesma forma encorajar a suspensão do mesmo através de uma ampla gama de atividades, desde o simples aconselhamento ou encaminhamento a postos de saúde e clínicas de tratamento até o engajamento na defesa da causa antitabágica.
Pretendo apresentar, alguns tópicos dos oito anos de trabalho realizado a partir da psicologia clínica, aplicando a abordagem cognitico-comportamental.
POR QUE a abordagem cognitivo-comportamental? Esta abordagem tem sido a mais utilizada no tratamento do tabagismo, sendo considerada através de uma cadeia de evidências, muito eficaz nas técnicas na cessação de fumar; provocando variante de pensamentos e comportamentos do paciente sobre si mesmo.
As intervenções relatadas foram realizadas no CEPAAD (Centro de Estudos, Pesquisas e Atendimentos sobre o Abuso de Drogas) com pacientes de ambos os sexos que precisam e/ou querem romper com o vício da nicotina.
Esta intervenção tem como objetivo preparar o paciente para parar de fumar e desenvolver estratégias de enfrentamento diante das situações de risco.
Diversos são os procedimentos empregados, destacando-se: informações sobre a dependência física e atuação da nicotina no organismo; esclarecimentos sobre a dependência psicológica e de comportamento que se estabelece com o cigarro; orientações aos pacientes no sentido de lidarem com os sintomas de abstinência e os mecanismos de defesa; uso de medicações; entre outros.
Os atendimentos estruturam-se em 12 sessões, semanais, individuais e apresentam duração média de 50 minutos. As primeiras sessões são de preparação, que servem para avaliar o paciente sobre a doença de dependência química pelo tabaco e motivá-lo para a mudança.
São ainda oferecidas sessões de manutenção, que se iniciam dois meses após o paciente parar de fumar e que possuem duração de um ano. Nesta etapa, é feito um acompanhamento mensal por telefone sobre como o paciente se sente e como ele está lidando com a ausência do cigarro.
No dia 31 de maio, Dia Internacional Sem o Tabaco, é feito uma comemoração através de um café da manhã, onde se tem a oportunidade de ter contato direto com todos os pacientes que passaram pelo processo. Estes encontros possibilitam a coleta de dados estatísticos sobre a prevalência quanto a abstinência e recaídas dos pacientes e através de técnicas motivacionais, oferecem um incentivo para que as pessoas se sintam empenhadas e motivadas a continuarem mais um ano de abstinência, caminhando na direção de uma qualidade de vida cada vez melhor sem o cigarro.
Liliane Villela Bastos Junqueira, Psicóloga Clínica
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