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Entendendo Melhor


Por: Juliana de Abreu Oliveira, Psicóloga - UNIMED

A questão da dependência psicológica

Por: Juliana de Abreu Oliveira, Psicóloga - UNIMED

Falar sobre tabagismo é falar sobre um tema amplo, complexo, que aborda inúmeras questões, que vão desde o âmbito sócio-cultural (questão de saúde pública) até um problema individual (as questões que acometem a cada um).

Hoje, o tabagismo é considerado uma doença crônica, incluída pela OMS desde 1993, no grupo dos transtornos mentais e de comportamentos.

A dependência à droga é conceituada pela OMS como: “um padrão comportamental onde o uso de determinada droga psicoativa passa a ser mais importante do que qualquer outro comportamento anteriormente considerado prioritário”. A droga psicoativa, altera o SNC (Sistema Nervoso Central), modificando o comportamento, o humor, a percepção, o estado emocional do sujeito.

Ao se buscar no dicionário, o conceito da palavra “depender” esta foi encontrada, contendo o seguinte significado: “estar na dependência de; estar sujeito, subordinado a; estar sob domínio, autoridade, influência ou arbítrio de; ser a conseqüência de; não ter liberdade.”

Assim, traçando um paralelo entre o significado de “dependência” elaborado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e a palavra “depender”, pode-se pensar na complexa questão da dependência e entender melhor a próxima relação que existe entre a pessoa e a droga.

No sentido da dependência psicológica, a droga passa a comandar a vida daquele que a usa, a predominar sobre suas ações.

É importante lembrar, que essas substâncias que passam a direcionar a vida do usuário, provocam uma sensação de prazer. Este fato é fundamental, para se entender a dependência psicológica. Por que a sensação de prazer está estreitamente vinculada à questão da dependência?

Um dos mecanismos que regem o funcionamento mental foi definido por Freud, como o Princípio de Prazer. Este se caracteriza como a “atividade psíquica no seu conjunto tendo como objetivo evitar o desprazer e proporcionar o prazer”.

A ciência já comprovou que o tabagismo provoca dependência física, que se caracteriza pela adaptação fisiológica ao uso crônico da droga. O organismo se acostumou com a substância e “reclama” literalmente quando sente falta desta, através dos sintomas que aparecem quando ocorre a interrupção do seu uso, na síndrome de abstinência. Como exemplo: dor de cabeça, tontura, insônia, desconforto abdominal, maior irritabilidade e agressividade, ansiedade, dificuldade de concentração e outros.

Mas para além dos sintomas físicos existe associado à estes, o que se caracteriza por “uma necessidade” de se utilizar a droga, que vai além do corpo biológico, do organismo – a dependência psicológica. Há uma “necessidade” de obter prazer, de encontrar bem-estar, de aliviar a angústia, de evitar a “dor” de existir, de sanar o desconforto. Tanto é que, a ausência desta droga, representa uma “sensação” de intenso mal-estar (fissura).

A dependência psicológica se refere a uma dependência subjetiva, de alguma coisa que está faltando, e por isso existe algo que está incomodando, e que este indivíduo procura se livrar.

Sendo assim, como o cigarro é uma droga psicoativa que altera o SNC provocando uma sensação de prazer, este, assim como outras drogas, “anestesiam” diminuindo por alguns minutos essa sensação de mal-estar. O cigarro se torna ilusoriamente um “grande aliado, um amigo das horas difíceis, um amigo das horas festivas, um amigo nas horas de solidão, de estresse ou ansiedade” que preenche um pouco o vazio e alivia a sensação de angústia, que é comum a todos, mas que todos querem se livrar.

O problema é justamente este: a falsa impressão. A ilusão que o cigarro provoca, de ser um aliado, por justamente “diminuir” a tensão. É importante ressaltar que o alívio causado pela sensação de prazer é momentâneo, e por ser assim, não alivia a angústia, não resolve os problemas que acometem a todos, não modifica a vida, a história de cada um, que todos deveriam aprender a lidar, sem que para isso, tivessem que se recorrer a um cigarrinho.

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