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Entendendo Melhor


Por: Carolina Ribeiro Seabra, Acadêmica de Psicologia

A abordagem biopsicossocial na prevenção e tratamento do tabagismo

Por: Carolina Ribeiro Seabra, Acadêmica de Psicologia

Durante muitos anos o tabagismo foi visto como um símbolo relacionado a status e independência na sociedade, principalmente nas mulheres. Atualmente, causas diversas fazem o indivíduo fumar e permanecer no seu vício, mesmo sabendo todos os males que o cigarro acomete.

Fumar pode ser considerado uma forma de obter segurança e evidência de auto-afirmação, fatores essenciais à existência das pessoas. Jovens, o principal alvo da indústria tabágica, começam a fumar como forma de rebeldia, visando ter independência, ou até mesmo por imitação com o intuito de se incluir no grupo.

O tabagismo é uma das principais doenças causadoras de mortes no mundo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, estima-se que 5 milhões de mortes anuais são decorrentes do hábito de fumar. Ele responde hoje por 40% a 45% de todas as mortes por câncer, 90% das mortes de câncer de pulmão, 75% das mortes por DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), 35% das mortes por doenças cardiovasculares, além das aposentadorias precoces, e outros motivos de afastamento do trabalho, o que acarreta um impacto econômico, ou seja, uma perda global de aproximadamente 2 bilhões de dólares por ano.

O tabagismo é uma doença, segundo a Classificação Internacional das Doenças (F17.2), responsável por aproximadamente 5 milhões de mortes anuais. Além dos malefícios causados aos tabaco-dependentes, a fumaça do tabaco traz sérios riscos ao restante da população, os fumantes passivos.
Dada sua complexidade acomete vários campos na vida do indivíduo. Portanto sua abordagem requer a interação de vários saberes que se interagem e se potencializam visando abranger toda sua complexidade.

Com a adesão à Convenção Quadro de Controle do Tabaco (CQCT), medidas governamentais vem sendo tomadas visando tanto o tratamento quanto a prevenção do tabagismo.

O INCA (Instituto Nacional de Câncer) tem uma proposta de tratamento, desenvolvida através do programa “Ajudando seu paciente a parar de fumar” e utilizada pela rede nacional de saúde, que visa minimizar os sintomas físicos, bem como trabalhar o impacto psicossocial na vida do indivíduo.

Buscando ampliar a abrangência dos aspectos relacionados ao humano, evitando a fragmentação decorrente das diversas áreas do conhecimento e especialização dos profissionais surge a interdisciplinaridade.

Segundo Vilela e Mendes (2003) a interdisciplinaridade é a interação existente entre duas ou mais disciplinas na qual cada uma delas é modificada e passam a depender da outra como forma de conhecimento inter-relacionado.

Para Gonze  a interdisciplinaridade trata-se de uma síntese das disciplinas visando instaurar um novo nível do discurso através de uma nova linguagem descritiva e novas relações estruturais, remetendo a uma comunicação entre as disciplinas e a produção de uma realidade mais dinâmica, menos voltada a saberes isolados, buscando uma visão mais dinâmica e humanizadora da assistência.

A partir desses pressupostos o trabalho interdisciplinar surge como uma alternativa para abordar a complexidade do tabagismo. A interação dos saberes traz ao paciente uma forma mais generalista de tratamento dos seus sintomas, tanto no que antecede ao ato de parar quanto a posteriori.

Os sintomas podem estar relacionados à dependência (orgânica) da nicotina, aos hábitos diários do paciente, ao contexto social e a importância que o cigarro tem para aquele indivíduo.

O tratamento do fumante inicia-se a partir de uma entrevista individual que investiga questões da saúde física e mental do tabagista, para que seja definido qual o tipo de tratamento mais adequado. É importante saber qual o grau de motivação daquele sujeito para parar de fumar.

O tratamento pode ser realizado individualmente ou em grupo. No tratamento individual há uma maior atenção às singularidades e dificuldades do paciente e deve ser o tratamento escolhido quando o mesmo apresentar comorbidades psiquiátricas, déficits cognitivos ou características de personalidade (tais como timidez ou histrionismo) que possam prejudicar o andamento do grupo.

No tratamento em grupo a interação dos participantes proporciona uma troca de experiências, desenvolvendo uma rede de apoio social, essencial em grande parte dos casos.

A presença de diversos profissionais no tratamento é importante para que possam ser esclarecidas questões com relação a efeitos colaterais de alguns tipos de medicamentos, dietas alimentares adequadas para que não haja ganho de peso, estratégias para lidar com os hábitos provenientes do ato de fumar, bem como lidar com as questões sociais nas quais o vício esta envolvido.


Referências Bibliográficas

  • GIGLIOTTI, A. P.; PRESMAN, S. (orgs) Atualização no tratamento do Tabagismo. Rio de Janeiro: ABP-saúde, 2006.
  • PRESMAN, S. CARNEIRO, E. GIGLIOTTI, A. Tratamentos não farmacológicos para o tabagismo. Revista de Psiquiatria Clínica, São Paulo, v.32, n°5, p. 267-275, 2005.
  • CARVALHO, J. T. O tabagismo visto sob vários aspectos. Rio de Janeiro: Medsi, 2000.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Abordagem e tratamento do fumante – Consenso 2001. Rio de Janeiro: INCA, 2001.
  • ROSEMBERG, J. Tabagismo: um sério problema de saúde pública. São Paulo: ALMED, 1981.
  • GONZE, G. G. Interdisciplinaridade. Revista Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n° 121, 1995.
  • VILELA, E.M.; MENDES, I. J. M. Interdisciplinaridade e saúde: estudo bibliográfico. Revista Latino-americana de Enfermagem, São Paulo, v. 11, p. 525-531, 2003.

Carolina Ribeiro Seabra, Acadêmica de Psicologia e membro da Liga de Prevenção e Tratamento do Tabagismo da FHU/UFJF

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